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Edição Nº 02– MAIO / JUNHO DE 2008

Se a carne é fraca, o Espírito é forte

Por Anderson Sanchez

O escândalo sexual que abalou os Estados Unidos, um dos maiores países protestantes do mundo, recentemente, revela que ninguém está livre de cair na tentação do adultério.

A infidelidade do governador de Nova York, Eliot Spitzer
, que ficou conhecido como o "senhor limpeza" por ser um promotor implacável com quem não cumpria a lei também serve para trazer luz de que o problema pode ocorrer com qualquer um e em qualquer lugar, inclusive na Igreja.

As causas para o adultério dentro da Igreja podem ser vários. De acordo com pastor Jorge Maller da Igreja Evangélica Deus Vivo, a mais importante razão para que um salvo em Cristo Jesus caia em adultério é a falta de comunhão com Deus.

– Nós devemos basear a nossa vida conforme Paulo ensina aos Coríntios (1 Co 7). Os casados devem satisfazer-se um ao outro. A abstinência sexual no casamento pode deixar as pessoas vulneráveis e até os líderes, visados principlamente pelo inimigo, podem cair em adultério – aconselha o líder da Deus Vivo.

Homem recebe o perdão pelo adultério, mas sofre conseqüências

Um dos fatos mais marcantes foi o caso extraconjugal do reverendo Caio Fábio. O idealizador da Fábrica da Esperança e grande pregador deixou o ministério em 1998 após divorciar-se da esposa por causa de adultério.

Ao contrário do que Jesus Cristo ensinou, outros pregadores criticaram Caio Fábio e até as pessoas mais próximas o abandonaram. O perdão pelo mal praticado é algo ensinado pelo próprio Senhor Jesus Cristo.


Uma mulher pega em flagrante adultério foi levada à Ele pelos escribas e fariseus. De acordo com a lei mosaica, a adúltera deveria ser apedrejada, mas Jesus disse: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra".

Todos se retiraram acusados pela própria consciência e ele não a condenou e concluiu "vai e não peque mais". (Jo 8.3-11). Jesus foi além para incomodar os hipócritas ao dizer "qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela" (Mateus 5.27-28).

Caio Fábio ficou na Flórida, nos Estados Unidos, e voltou ao Brasil em 2000 para continuar suas pregações. Membro da Catedral Presbiteriana do Rio, prega lá com freqüência. Em resposta a uma reportagem publicada na Revista Eclésia, que um dia foi a Revista Vinde, criada pelo próprio Caio Fábio, ele disse: "Não tentem fazer de mim um ser que nasceu há cinco anos. Eu nasci em 1955, não depois de meu divórcio".

Para o pastor Jorge Maller, o homem de Deus que lidera as ovelhas deve ser afastado das funções se cometer um erro grave como esse. No entanto, Maller diz que ele pode voltar aos trabalhos, partindo do início, se ele provar estar recuperado espiritualmente.

– É lógico que também existe o estatuto da igreja. Cada ministério tem o seu. Geralmente, prevê casos como esse. O líder que caiu conhece o regulamento e deve se submeter à ele – esclarece o pastor da Igreja Deus Vivo.

Apesar do perdão divino que deve estar também presente nos homens de Deus evidentemente, as conseqüências para a prática do adultério são funestas. Um dos exemplos mais como-ventes da História Bíblica é o do rei Davi.

A Bíblia é imparcial e objetiva e este relato é um dos exemplos mais contundentes das conseqüências para quem é infiel.

Sociedade tolerante

Mas se na época de Davi, a pena para o crime era a morte. No Brasil, o Código Penal brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940), penalizava o crime de adultério com a pena de detenção, de 15 dias a seis meses.

A mesma pena era aplicada ao co-réu, e deixava claro que só o cônjuge ofendido poderia entrar com a ação penal, e dentro de um mês após o conhecimento da traição.

Em 2005, o art. 240 foi revogado pela Lei 11.106, de 28 de março de 2005. O Projeto de Lei 117/2003, de autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), sofreu algumas modificações, mas os itens como a descriminalização do adultério e a retirada do termo "mulher honesta" do Código Penal foram aprovados.

Diante da generalização da prática do adultério e da não penalização, pois era raro alguém ser detido por causa do art. 240, o Direito Penal brasileiro tem como parâmetros alguns princípios. A revogação do crime de adultério, por exemplo, se baseou no princípio da intervenção mínima.

O princípio da intervenção mínima indica que o Direito Penal deve preocupar-se com os bens mais importantes e necessários à vida em sociedade.

Este ramo do Direito Penal deve interferir o mínimo possível na vida em sociedade e deixar para outras áreas do Direito cuidar de bens jurídicos menos importantes. A escolha das condutas que devem ser reprovadas penalmente é submetida a um critério simplesmente político.

O adultério, portanto, foi descriminalizado por não ser mais considerado razoável deter uma pessoa por trair o cônjuge. No entanto, essa pessoa que foi envergonhada e humilhada pelo companheiro pode ingressar no juízo civil com uma ação de indenização para reparar o prejuízo moral da qual foi vítima.

A revogação do crime de adultério acompanha a "evolução" da sociedade. É fato que a mídia propaga o sexo liberal. A televisão bombardeia mensagens subliminares ou explícitas para o sexo livre. São propagandas, programas de auditório ou humorísticos, e novelas que exibem mulheres sensuais ou incentivam a fornicação.

A banalização da fidelidade e do compromisso mútuo entre um homem e uma mulher está no ápice em nossa sociedade. O estímulo explícito ocorreu em frente a uma igreja, no bairro da Piedade, zona norte da cidade, em dezembro de 2006. Uma faixa anunciava a "Choppada do Adultério", que seria realizado num clube daquele bairro.

Infidelidade virtual

Os jornais mais populares colocam mulheres semi-nuas nas capas, revistas masculinas apresentam modelos totalmente despidas ou sexo explícito, como também se encontra na Internet, com até mais facilidade, fotos e vídeos pornográficos.

O anonimato permitiu que vícios sexuais, anteriormente alimentados em casas ou áreas de prostituição fossem acessíveis dentro da própria casa.

Primeiro foram as revistas pornográficas, depois filmes eróticos alugados ou vendidos em locadoras de vídeo até o bate-papo em tempo real, fotos sensuais e vídeos pornográficos disponibilizados em sites na web.

A intimidade emocional, mesmo sem o contato físico, carrega o efeito da traição. O contato pelo teclado trouxe novos paradigmas para infidelidade. Os especialistas chamam de infidelidade branca.

A razão para a transformação do comportamento sexual pode ser decorrente do acesso instantâneo e contatos quase sem limites que multiplicam as oportunidades e mais o anonimato proporcionados pela web. E-mails, comunidades de relacionamento como o Orkut e programas de mensagem instantânea como o MSN ou ICQ.

A revista estadunidense Psichology Today informou que estudos recentes indicam que em 60% dos casos dos relacionamentos constantes pela internet termina em sexo real.

De acordo com um levantamento da Yankelovich Partners Inc, 60% das páginas visitadas têm algum conteúdo sexual. E a palavra sex é a mais escrita nos sites de busca em todo o mundo.

A revista Veja também revelou que em 90% dos casos de separação em grandes escritórios de advocacia, as partes apresentam cópias de e-mails, mensagens instantâneas ou do Orkut para compravarem o "quase adultério". No quesito comprometimento, hoje a senha de e-mail equivale a senha de um banco.


Leia Também:

Adultério de Davi teve conseqüências funestas

Foto: Anderson Sanchez
Sociedade tolera e incentiva a traição. A “Choppada do Adultério” foi realizada em Piedade, bairro da zona norte do Rio


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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