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Edição
Nº 03– JULHO / AGOSTO DE 2008
Teologia
da Ciência
Um dos mais conceituados cientistas no campo da cosmologia e, igualmente,
um dos mais renomados teólogos de seu país, o polonês
Michael Keller, equilibrou o pragmatismo científico e a devoção
pela religião.
Ele decidiu fixar esses dois olhares sobre a questão da origem
de todas as coisas: colocou a ciência a serviço de
Deus e Deus a serviço da ciência. O resultado intelectual
foi a formulação de uma
nova teoria que começa a ganhar corpo em toda a Europa: a
"Teologia da Ciência".
A "Teologia da Ciência" define-se, simplificadamente,
que a ciência encontrou Deus. E a isso Keller chegou, fazendo-se
aqui uma comparação com a medicina, valendo-se do
que se chama diagnóstico por exclusão: quando uma
doença não preenche os requisitos para as mais diversas
enfermidades já conhecidas, não é por isso
que ela deixa de ser uma doença.
De volta agora à questão da formação
do universo, há perguntas que a ciência não
responde, mas o universo está aqui e nós, nele. Nesse
"buraco negro" entra Deus.
Keller disse ao site da BBC de Londres, que apesar dos nítidos
avanços na pesquisa sobre a existência humana, continua-se
sem saber o
principal: quem seria o responsável pela criação
do cosmo?
Keller montou a sua metodologia a partir do chamado "Deus dos
cientistas": o big bang, a grande explosão de um átomo
primordial
que teria originado tudo aquilo que compõe o universo.
– Em todo processo físico há uma seqüência
de estados. Um estado precedente é uma causa para outro estado
que é seu efeito. E há
sempre uma lei física que descreva esse processo –
diz ele.
E, em seguida, fustiga de novo o pensamento: "Mas o que existia
antes desse átomo primordial?" Essas questões,
sem respostas pela física, encontram um ponto final na religião
– ou seja, encontram Deus. Segundo o filósofo, "A
ciência nos dá o conhecimento do mundo e a
religião nos dá o significado".
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